Em outubro de 1987, era madrugada na Califórnia, o telefone tocou em casa do sr. Donald Cram, um vendedor de produtos de limpeza para tapetes. Do outro lado da linha, uma voz com sotaque nórdico anunciou ao sr. Cram que ele tinha ganho o prémio nobel da química. Cram achou que estavam a gozar com ele e desligou. A Academia sueca voltou a ligar e insistiu que o ia anunciar como vencedor do nobel. Lá acabaram por esclarecer que o prémio era para o professor Cram da Universidade da Califórnia.
Isto para dizer que sou grande seguidor da "semana nobel", apesar de só me interessar o nobel da paz e o da literatura e, em muito menor escala, o da economia.
Quanto à literatura, tremo só de pensar que podem dar a medalhinha a Murakami, um escritor menoríssimo mas que, nas apostas, é o mais bem classificado (chances de 1 para 3). Boa surpresa seria Ismail Kadare, albanês há muitos anos a viver em Paris. William Trevor é também favorito mas os irlandeses já levaram demasiados nóbeis. Mo Yan também está na lista mas nunca li. Rejubilaria com Philp Roth ou Salman Rushdie (impossível, a Academia não arrisca) ou Don De Lillo. Também ficaria satisfeito com Amoz Oz, menos com Umberto Eco, acharia injusto que o dessem a Paul Auster ou a Cees Nooteboom. Um nobel lusófono era uma alegria mas Lobo Antunes é cada vez menos uma hipótese (Ferreira Gular é a outra possibilidade).
Na paz, dá vontade de rir falar do sr. Assange ou do soldado Manning. Também tenho dúvidas sobre a sra. Tymoshenko, apesar de ser grande apreciador dos seus penteados. Acho que assentava muito bem a Helmut Kohl (a sra. Merkel havia de gostar...). Não fosse Mark Zuckerberg demasiado novo e de duvidosa verticalidade, o prémio também ficava bem ao fundador do facebook (pelo simbolismo, evidentemente). Mas o ar do tempo talvez aponte para a primavera árabe: o novo presidente tunisino Marzouki é uma possibilidade mas eu preferiria um "homem da rua" como o egípcio Wael Ghonim.
Mas o mais provável mesmo é que a Academia nos surpreenda e que, de olhos colados ao computador, a primeira reação seja: "quem?".

Aposto em David Grossmann!E longa vida a este blog!
ResponderEliminarGrossman - também gostava mas acho altamente improvável... por razões políticas, claro.
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