Mariana e João são um casal feliz: classe média alta, casados há 10 anos, duas filhas, bons empregos, vida estável, amigos e família. Um bocejo. A primeira meia hora é tão "tolstoiana" que até aborrece - parece Anna Karenina em versão nórdica:"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes são-no cada uma à sua maneira".
Mas depois duma noite de ida ao teatro (reparem a subtileza: duma noite de ida ao teatro), ver uma peça de Ibsen, a ruptura instala-se entre os dois. O texto arrasta-nos para campos indizíveis, de forma lenta, quase sádica. O espetáculo, o verdadeiro espetáculo, acontece na plateia. Chega-se ao fim em estado de exaurimento.
Impróprio para gente com alma dentro.
Cenas da Vida Conjugal, de Ingmar Bergman, no Teatro Nacional D. Maria II

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