3 de outubro de 2012

Das causas do título



"Muito lá de casa" é o título de um livro de João Bénard da Costa, um dos homens mais inteligentes que conheci (tive essa graça!). Bénard fez parte de uma geração que já praticamente toda desapareceu (Bénard, Sophia, Vergílio) e que aliava uma elegância aristocrática a uma inteligência e uma sensibilidade finíssimas. Beberam no cristianismo e, embora críticos, nunca se chegaram a afastar completamente (pelo menos de uma matriz referencial).

Mas muito lá de casa é mais do que esse título que Bénard recuperou para o livro: é uma expressão à l'ancienne duma época de luz fulgurante onde se diziam coisas sem se chegar a verbalizar, onde se bebia tisanas em chícaras, se lia Flaubert e se ouvia Bach. Duma época onde a poluição não tinha contaminado os nossos dias desta forma brutal que acontece hoje.

Este "muito lá de casa" não é passadista nem bolorento, antes pelo contrário. Apenas reconhece que as coisas são o que são e que pouco nada mais importa a não ser a procura incessante do belo, esse "traço visível de deus que podemos suportar com os sentidos" (Platão).  

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