16 de novembro de 2012

O que nos faz comprar um livro?



Estou sentado numa sala, rodeado de cabeças e de corpos. A minha postura é conscientemente congruente com a forma da minha dura cadeira. É uma sala fria do edifício da Administração da Universidade, com paredes apaineladas em que havia quadros à maneira de Remington e janelas duplas que a defendiam do calor de novembro, protegida de sons administrativos pela zona de receção na qual o tio Charles, o senhor DeLint e eu tínhamos sido recebidos.
Eu estou aqui.

A Piada Infinita, de David Foster Wallace, Quetzal, 2012


Estará hoje nas livrarias "A Piada Infinita" de David Foster Wallace, 16 anos depois da sua edição original nos EUA. Foi na altura saudado como um dos mais importantes romances americanos do século XX, aclamado de forma quase unânime pela crítica.

Nunca li. Vou comprar? Não. Porquê? Não que não reconheça méritos ao livro pelo que já li. Nem embirro com a capa (o que para mim é muito importante - uma má capa afasta-me logo). Nem tenho nada contra uma certa reconfiguração da narratividade que os romancistas americanos contemporâneos estão a fazer.

Mas há um argumento definitivo, desculpar-me-ão ser tão básico: é que não tenho paciência de ler um livro de mais de 1100 páginas...






8 de novembro de 2012

Engate mal sucedido




A., pelos 40 anos, tenta engatar T., pelos 20. Não chegam a trocar palavras: olhares insinuantes e provocadores, gestos a indiciar desejo.

Não cruzam a fronteira até que T. olha fixamente para A., contrariando os sinais que dera até então. A. acalenta o peito e cresce em confiança.

T. aproxima-se de A., que esbugalha o rosto e sente o corpo inundado pela líbido.

Diz T: "tenho a impressão que já nos cruzámos."

A. quase em delírio.

T.: "o senhor é colega do meu pai, não é?".