Estou sentado numa sala, rodeado de cabeças e de corpos. A minha postura é conscientemente congruente com a forma da minha dura cadeira. É uma sala fria do edifício da Administração da Universidade, com paredes apaineladas em que havia quadros à maneira de Remington e janelas duplas que a defendiam do calor de novembro, protegida de sons administrativos pela zona de receção na qual o tio Charles, o senhor DeLint e eu tínhamos sido recebidos.
Eu estou aqui.
Eu estou aqui.
A Piada Infinita, de David Foster Wallace, Quetzal, 2012
Estará hoje nas livrarias "A Piada Infinita" de David Foster Wallace, 16 anos depois da sua edição original nos EUA. Foi na altura saudado como um dos mais importantes romances americanos do século XX, aclamado de forma quase unânime pela crítica.
Nunca li. Vou comprar? Não. Porquê? Não que não reconheça méritos ao livro pelo que já li. Nem embirro com a capa (o que para mim é muito importante - uma má capa afasta-me logo). Nem tenho nada contra uma certa reconfiguração da narratividade que os romancistas americanos contemporâneos estão a fazer.
Mas há um argumento definitivo, desculpar-me-ão ser tão básico: é que não tenho paciência de ler um livro de mais de 1100 páginas...

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