16 de outubro de 2012

Manoel de Oliveira, o nosso Caravaggio


Quando estive em Malta, há 2 ou 3 semanas, fiquei siderado com um quadro de Caravaggio que conhecia de reproduções mas que pude, finalmente, ver ao vivo: “A decapitação de S. João Baptista”. E foi deste quadro que me lembrei, este fim de semana, quando vi O Gebo e a Sombra, o novo filme de Manoel de Oliveira. O que me prendeu neste filme nem foi o texto de Raul Brandão, que tem quase um século (e que à luz do Portugal contemporâneo assume acutilante atualidade), nem a excelência das interpretações (com exceção do canastrão habitual do Trepa), nem o peculiaríssimo travelling das câmaras que Oliveira tem como muito próprio: o que me prendeu, como em Caravaggio, foi o contraste entre a luz e as sombras, a profundidade lúgubre que prolonga as personagens. Oliveira é, de facto, um artista pleno.

1 comentário:

  1. Também fiqeu siderado quando vi o Caravaggio, Duarte. Por si só justifica a ida a La Valetta. Abr.

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